quinta-feira, 27 de maio de 2010

Encontros e desencontros com o novo.

Encontros e desencontros, a vida é feita disso. Encontramos pessoas, novos sabores e novas possibilidades. O novo sempre fascina ou dá medo. O novo incita a descoberta, instiga o coração. Mas nem sempre novo é sinônimo de bom. Mesmo assim, sentimos um enorme prazer em experimentá-lo. Porque a curiosidade é da natureza humana? Não seria tão mais fácil viver com o que já conhecemos, conviver com os mesmos hábitos ou saborear os mesmos pratos? O certo é que, provamos o novo. Seja um novo modelo de aparelho celular com 500 mil novas funções, seja um novo estilo musical cujos adolescentes e personagens vestem- se com roupas de outras 500 mil cores. NOVO! Dá-se o encontro.

Aí, vem o processo de reconhecimento do novo, de desvendar os novos mistérios e experimentar o que o novo proporciona. Porém, passa o tempo da descoberta e encantamento e já não é mais novo. O novo, então, torna-se obsoleto. Queremos, portanto, algo mais novo ainda! Acontece o desencontro. Desencontro deste “velho” novo para provar outra nova oportunidade. Isso se chama mercado, mas também percebemos essa lógica na vida. Vivemos um ciclo consumista, onde passamos de novo para conhecido e, depois, velho. E volta-se ao novo. Assim é a moda. Assim é a música. Mas assim também são os relacionamentos que vemos por aí. Tudo virou consumo rápido. Num mundo em que tudo é líquido, como Bauman define a sociedade atual, o que é sólido e duradouro tem seu valor. Alguns chamam o velho de tradição, outros conservadorismo. Ou até, no mais pejorativo sentido: acomodação.

Porque querer sempre o novo se o que já existe pode nos ser extremamente ótimo e suficiente? Não quero sentimentos que vem e vão. Nesse cenário, no qual vivemos, valorizo o que é verdadeiro e profundo. Nesse sentido, gosto dos sentimentos que criam raízes no coração, que alimentam a alma e que são mutantes sem ser substituíveis. No quesito sentimento, e falo de amor e amizade, como é bom poder contar com poucos mas verdadeiros e antigos sentimentos de preocupação e carinho. Já, se tratando de tecnologia, modismos e consumo, experimento o novo. De seis em seis meses, gosto de atualizar o guarda roupa, ampliar o repertório musical ou mergulhar nas novas tecnologias da era do “fast”. Praticidade faz bem e traz rendimento no dia-a-dia, mas superficialidade nos faz eternos egoístas em torno do nosso bel-prazer. Vemos, assim, pessoas que não se preocupam com o sentimento alheio, que não sabem doar-se e amar. Que acham mais fácil (ou mais prático!) partir para o novo no primeiro sinal de dificuldade.

As coisas podem ser substituíveis, os sentimentos não. E assim, pessoas não são substituíveis. Família é pra sempre. Relacionamento também pode ser. E porque não viver pra sempre com uma mesma pessoa que nos acrescenta e para a qual também acrescentamos? Solidez nos tempos de hoje é magnitude. O difícil é manter um relacionamento por tanto tempo com sabor de novo. E aí também pode estar o segredo do amor. Quero encontros permanentes que alimentem a vida. Encontros estes que se fortifiquem com o tempo, que se atualizem sobre o mesma plataforma e que mesmo sob a mesma face, proporcionem constantemente novas sensações, novos sentimentos e novos momentos eternos. Para o coração, quero encontro sem desencontro. Para as coisas funcionais, tampouco me importa ser novo ou velho, desde que seja eficiente.

Um comentário:

  1. O novo é sempre facinante, mas como bem disseste nem sempre é sinonimo de bom. Adoro ler o teu blog sabes brincar com as palavras e cativa aos que fazem a leitura de seu blog. Parabéns pelo Blog

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